Friday, October 28, 2005

Branca

Olho-te e vejo-te
Sempre estática
Rectangular e horizontal
Branca e vazia
Sem saberes como
Vais ser ultrajada.
Pode ser que sejas
Maltratada
Ou, quem sabe,
Peça de arte...
E, como sabes,
Conversa à parte,
Somos sempre um monólogo
Construído de revolta.
Mas, tu, sempre receptiva
Aceitas a missiva
Ou o disparate...
Estática e calma
Sem marca de àgua
Aceitas uma alegria
Ou uma mágoa...
Sempre paciente e mágica
Branca de alvura feita
Deixas-te riscar
Meigamente
Ou de forma trágica
recebes submissa
a história de cordel
ou o poema ...
Tu, folha de papel.